Não é preciso um quintal nem uma varanda para ter uma #selvvvaemcasa. Sala, cozinha, banheiro, escritório ou quarto. Qualquer cômodo pode se tornar propício para o cultivo, desde que haja um elemento essencial: luz.

A existência das plantas depende de luz - além de outros fatores de que falaremos mais por aqui, em breve. A relação com o sol é tão importante para as plantas que elas sabem quando é dia e quando é noite – as marantas, por exemplo, se movimentam ao longo do dia, quando sentem a claridade,  deixando suas folhas abaixadas e abertas para receber luz em toda a sua extensão, e se fecham quando escurece -, percebem onde a luz está, se alimentam e se desenvolvem indo em direção a ela. Sabe aquela plantinha que cresceu mais para um lado? Então. Algumas pessoas gostam de girar o vaso de tempos em tempos para que a planta receba luz em todos os lados e cresça de maneira mais uniforme.

maranta-ornata fechada à esquerda e maranta-pavão aberta à direita.


E quando falamos de luz, não vale eletricidade, a não ser lâmpadas específicas para o cultivo de plantas. As versões comuns não possuem UV e, por isso, não são capazes de contribuir com a fotossíntese*

*Lembra das aulas de biologia na escola?
A fotossíntese é o processo realizado pelas plantas para a produção do seu próprio alimento, constituído essencialmente por glicose, e que depende da luz solar para acontecer. Basicamente, a planta capta gás carbônico do ar, água da terra ou do ar e a mágica acontece com a entrada de luz solar, que transforma estes componentes em glicose e oxigênio.

Por depender da luz do sol, a fotossíntese é a forma como os seres clorofilados se alimentam durante o dia. À noite, eles respiram como nós: captam oxigênio e expiram gás carbônico. Mas fique tranquilo, não vai faltar ar para você!

A clorofila – grupo de pigmentos que se encontra nas células das plantas - é a responsável por captar a luz solar no processo de fotossíntese. Para conseguir captar mais luz, as plantas que vivem em lugares mais sombreados tendem a produzir mais clorofila. Isso explica por que muitas plantas de matas fechadas ou ambientes menos iluminados têm uma tonalidade de verde mais escura. Muitas delas têm as folhas grandes e horizontais, para captar o máximo de luminosidade que entra por entre as árvores. Estas mesmas espécies, se colocadas em um ambiente com maior claridade, não precisarão produzir tanta clorofila para captar a luz, fazendo com que suas folhas fiquem mais claras. É possível observar esse fenômeno em espécies como pacová, zamioculca, costela-de adão e filodendros-pendentes, por exemplo.

Cada planta tem suas próprias necessidades, mas todas, sem exceção, precisam de luz natural para existir! Para te ajudar a escolher a planta ideal para o cantinho que você tem em casa, o Estufa te explica sobre cada tipo de iluminação e traz algumas espécies que se adaptam bem em cada um - lembrando que todas as indicações aqui não são uma fórmula definitiva e sim uma orientação para um primeiro contato com as plantas: 

1. Sol pleno:

É aquela luz intensa e direta sobre a folhagem, seja dentro ou fora de casa. O famoso sol do meio dia - que não é recomendado para nós humanos - e que, normalmente, vai até umas 16h. As plantas de sol pleno, por ficarem muito expostas ao calor e luz intensos, perdem matéria orgânica mais rápido que espécies mais tímidas com o sol. Por isso, talvez seja preciso uma maior quantidade de regas e maior frequência de adubação, quando comparado com plantas menos expostas ao sol (o que não é o caso dos cactos e suculentas, por exemplo, que têm capacidade de reter água).

Algumas espécies que se adaptam bem ao sol pleno são: cactos, suculentas, aspargo ornamental, espada-de-são-jorge, lambari-zebrina, clúsia, cheflera, babosa, dracenas, jade, árvores frutíferas e temperos que usamos geralmente na cozinha (estes com uma atenção maior às regas).

2. Meia-sombra:

O ambiente super claro que recebe aquele solzinho direto e ameno do início da manhã (das 7h às 10h) e o de finzinho de tarde (das 16h30 em diante). Esta luz é benéfica para muitas espécies, inclusive as de sol pleno, pois ajuda na floração. As espécies propícias são: filodendros, aglaonemas, antúrios, peperômias, samambaias, heras e ripsális.

Em cima: filodendro, maranta, cactos, ripsális, asplênio e bromélia. Embaixo, aglaonemas e antúrio.


3. luz difusa ou sombra (mas não é breu):

O que difere esta luz em relação à encontrada na meia-sombra é a incidência do sol. O ambiente é super claro durante todo o dia, mas não recebe sol direto, em nenhum momento. Ainda assim o local é propício para muitas plantas. Basta escolher as espécies certas, e algumas delas são: pacová, zamioculca, jiboia, aglaonema, espada-de são-jorge, lança-de-são-jorge, filodendro e maranta.

zamioculca, pacová e maranta-pavão são três espécies que se adaptam bem a ambientes mais sombreados.


ADAPTAÇÃO

É interessante saber que as plantas são capazes de se adaptarem a certas variações de luz a que forem expostas – assim como se ajustam aos níveis de água no solo e alterações de temperatura. A adaptação vai depender, inclusive, das condições em que elas viviam antes de irem para o novo lar. Muitas das espécies que conhecemos como “de sol pleno”, por exemplo, são cultivadas dentro de estufas com incidência de luz, clima, chuvas e vento controlados e não estão realmente adaptadas ao sol pleno. Mas é possível fazer a transição ao ambiente de sol pela rustificação, um processo que leva mais ou menos um mês e consiste em expor a planta ao sol gradativamente, cada semana um pouco mais.

Pode acontecer de algumas folhas queimarem, faz parte do processo. Mas as novas já vão nascer adaptadas às novas condições. Fique atento: com mais sol a planta acaba perdendo mais água, então é importante prestar atenção às regas.

SINAIS DE QUE A SUA PLANTA NÃO ESTÁ COM A ILUMINAÇÃO ADEQUADA

Os sinais que as plantas dão são variados e vão depender das necessidades de cada uma. Um bem visível é o que chamamos de estiolamento, um processo em que elas se estiram em busca de luz e, ao gastarem energia para o crescimento, acabam fragilizadas. Seu caule fica menos estruturado e suas folhas se tornam menores, mais espaçadas entre si, com uma coloração mais clara. Dá para ver isso acontecer com bastante nitidez entre as suculentas.
 

 

suculenta à direita e cactos em processo de estiolamento.


Folhas mais frágeis, finas e com uma certa transparência são outro sinal bastante comum de falta de luz. Isso porque este elemento é fundamental para que as plantas tenham energia e vigor, ambos obtidos por meio do processo de fotossíntese.

Uma dica para achar o lugar ideal para a sua espécie é entender como ela vive na natureza. Plantas de deserto, como os cactos, estão preparadas para o sol direto durante o dia todo. Plantas de matas mais fechadas, como samambaias, antúrios e orquídeas, vivem na sombra das árvores e costumam receber um pouquinho de sol filtrado por entre as folhas que as protegem.

Por fim, não é preciso um ambiente inteiro iluminado, nem que ele receba luz o dia todo - lugares como o hall de elevador ou corredores sem entrada de luz não são indicados para o cultivo de plantas, tá? Basta que o cantinho que você escolheu receba luz natural em uma dessas condições, em algum momento do dia. Agora é só escolher a espécie que mais combina com a sua #selvvvaemcasa e ser feliz no meio do verde.

Conheça algumas espécies sugeridas na matéria:

aglaonema
filodendro-pendente