CONHEÇA SUA MORADORA

Saber quem é quem no verde e entender as condições em que a planta vive na natureza oferece pistas importantes.

Ao longo da evolução, cada espécie encontrou suas estratégias para sobreviver sob os diferentes climas. Vindos de regiões áridas, os cactos, por exemplo, tiveram suas folhas transformadas em espinhos e adotaram uma forma mais “econômica” de respirar: suas trocas gasosas são feitas através do caule, durante a noite. Assim eles evitam a perda de água, um recurso precioso que é guardado para uso até a próxima chuva. Em casa, exagerar na rega frequente ou deixá-los longe do sol é uma combinação nada parecida com a realidade dessas plantas, que podem acabar não resistindo.

Na natureza vale tudo para a preservação da espécie. À esquerda, o cacto e seus espinhos para evitar a desidratação. À direita, a raiz da zamioculca, pronta para armazenar água e sobreviver a períodos de escassez.

Já aquelas que vivem nas florestas tropicais vão adorar um clima úmido para se desenvolver. Por isso, no aconchego da sua selvvva vale até mesmo dedicar um umidificador de ar para suas moradoras. Geralmente esses aparelhos dão conta de pequenas áreas, por isso, você pode deixá-los perto de quem mais gosta desse cuidado: chifre-de-veado, samambaias, avenca, marantas, asplênio, aglaonema, pacová, costela-de-adão e filodendros.

Uma forma fácil de trazer esse exercício sobre as plantas para o dia a dia é despertar para o verde que mora nas ruas. Prestar atenção nos canteiros, árvores e jardins vai te ajudar a perceber as condições das espécies. Além disso, procure também descobrir a frequência recomendável para a rega de cada uma.

Para te dar uma força nessa missão, separamos as plantas em duas categorias. Confira mais abaixo, em Quem é quem no verde.

OLHE DE PERTO, SEMPRE

Chegue mais perto. A aparência da terra é importante e pode acabar te enganando. Não é raro que na superfície, por conta da evaporação, você seja encorajado a regar um solo aparentemente seco, mas que na verdade pode estar encharcado na parte mais profunda. Para algumas espécies, essa nova rega desnecessária pode passar despercebida, mas para outras pode ser fatal. Por isso, veja se o solo está realmente seco: afunde o dedo na terra, cerca de 4 ou 5 cm.

Esse exercício de observação também vai te ajudar a perceber as demonstrações mais tímidas, como as de algumas marantas, que na falta de água enrolam a ponta das folhas. Vai evitar momentos mais dramáticos de sede, protagonizados por folhas completamente murchas e caídas, como é o caso do lírio-da-paz e da begônia-rex. Ou se antecipar a surpresas desagradáveis, como as raízes apodrecidas de um cacto.

Maranta com folhas enroladas e begônia-rex em momento dramático de sede.

FIQUE DE OLHO NO CLIMA E ONDE ESTÁ PLANTADA

O clima influencia no volume e frequência da rega. Como as roupas no varal que secam logo no calor, as plantas perdem água mais depressa em um dia quente e seco.

Se o seu verde está plantado em vasos porosos, como os de barro, redobre a atenção. Lembre-se de que esse material transpira e acaba desidratando mais rápido que outros. Por isso, descubra no dia a dia a dosagem de água ideal. Se a sua disponibilidade de tempo para a rega for pequena, adote os cachepôs em alumínio, que retêm a umidade por mais tempo.

Um bom escoamento também é fundamental. Assim você evita que a água se acumule e leve ao apodrecimento das raízes ou crie condições favoráveis para pragas e parasitas.

QUEM É QUEM NO VERDE

Resistentes a estiagem

Algumas espécies suportam períodos de estiagem e precisam ter o solo completamente seco até a próxima rega. Cheque a umidade da terra: afunde o dedo cerca de 4 ou 5 cm. Se a superfície e a área mais profunda estiverem secas, pode ser hora de regar. Cactos, suculentas e babosa fazem parte dessa categoria.

É importante conhecer as particularidades do seu verde. Os cactos, por exemplo, precisam de longos períodos de estiagem, interrompidos por uma rega intensa, com bastante água. Já as suculentas podem ser regadas com mais frequência e menor volume, mas também suportam períodos de seca.


Precisam de rega frequente

Para algumas plantas, é fundamental que o substrato se mantenha levemente molhado e não seque por completo até a próxima rega. É importante sempre manter certa estabilidade, evitando alternar entre solo seco e muito úmido.

Cheque a terra: afunde o dedo cerca de 4 ou 5 cm. Se a superfície estiver seca e a área mais abaixo úmida, é hora de regar.

Fazem parte dessa categoria: aglaonema, comigo-ninguém-pode, dracenas, pacová, clusia, cheflera, ripsális, cróton, pilea, asplênio, lambari, jiboias, filodendros, columeias, bambu-da-sorte, samambaias, costela-de-adão e guaimbê.


REGUE

1. Se você checou a umidade da terra e o seu verde está pedindo água, é hora de regar, sempre no comecinho da manhã, de preferência, ou à noite. O importante é evitar os períodos mais quentes do dia.
2. Usando água filtrada ou da chuva, regue distribuindo-a no substrato como um todo, sem se concentrar em um ponto específico. Chegue bem pertinho da terra, assim o impacto da água não cria buracos, nem compacta o solo.


ENTENDA ALGUNS SINTOMAS

Além de checar a terra, você também pode conferir os sintomas que te ajudam a identificar se está havendo algum problema com a hidratação. Alguns deles podem estar associados a outros fatores. Folhas com as pontas amareladas, por exemplo, podem indicar falta de água, mas também carência de nutrientes, de sol ou até mesmo a presença de cloro. Por isso, sempre busque informações sobre o seu verde. 

Na maioria das vezes, os sinais de excesso ou escassez de água costumam ser muito parecidos. Fique de olho na folhagem. Folhas enroladas, secas, ásperas, fáceis de quebrar, caídas, murchas ou amareladas podem te dar pistas de que algo pode estar errado com a rega. 

E lembre-se: nem sempre regar com regularidade significa hidratar o seu verde. Em alguns casos a água pode não estar chegando até as raízes. Em outros, estas podem estar apodrecidas, o que faz que não consigam mais dar conta da absorção.

Nem sempre regar significa hidratar. Em alguns casos o solo pode estar duro e seco, dificultando a chegada de água até as raízes. 

INVESTIGUE

Se você já olhou de pertinho e descartou a possível presença de pragas e parasitas, testou colocar mais água ou dar um tempo na rega, e ainda assim o seu verde não deu sinal de melhoras, é hora de cavar a terra e descobrir o que está acontecendo lá embaixo.

Investigue: a água está conseguindo escoar por baixo do vaso? Sua planta está exposta ao calor intenso e a rega está sendo insuficiente? As raízes estão muito úmidas? O solo está duro e seco?

Se ao cavar, você encontrar o solo encharcado, fique atento. Você pode ter pesado a mão na rega ou o escoamento pode estar prejudicado. Toque a raiz e veja se há sinais de apodrecimento. Replante seu verde em um novo substrato.

Já o solo duro e seco dificulta a chegada da água até as raízes. Nesse caso, hidrate-o dando um banho frio nessa moradora, sob o chuveiro ou no tanque: coloque-a em uma bacia ou balde e regue até que uma poça com cerca de 1/3 da altura do vaso se acumule ao fundo. Aguarde 10 minutos e descarte o excesso de água. Se a sua planta tem tamanho generoso e você não conseguir carregá-la até o local do banho, use um regador ou uma mangueira, regando até que a água escorra por baixo e forme uma poça no prato. Tente revolver o solo ou procure replantá-la, retirando a terra que está compactada nas raízes e trocando o substrato. (Temos uma matéria que pode te ajudar por aqui)

DICAS IMPORTANTES
Enquanto estiver conhecendo as suas plantas e o ambiente, prefira aumentar a frequência da rega em vez de aumentar o volume de água. Assim, aos poucos, você encontra a dosagem de umidade e evita o excesso que pode levar ao apodrecimento das raízes.

Procure regar sempre no início da manhã, quando o sol ainda é ameno. Você também pode fazê-lo à noite. Fique de olho apenas para evitar que o excesso de umidade atraia pragas e parasitas.

Prefira sempre água filtrada ou da chuva, para evitar o excesso de cloro, substância que pode intoxicar o seu verde e causar manchinhas em toda a folhagem. Se o clima seco não contribuir, use a da torneira, deixando-a descansar por 24h, tempo suficiente para que o cloro evapore.

Limpe as folhas com um pano umedecido. Assim você retira a poeira que prejudica a captação de água e a transpiração. (Exceções, plantas que têm pequenos pelos, como chifre-de-veado, trapoeraba e begônia-rex, podem se prejudicar ao receber esse tipo de cuidado)