“O acumulador de plantas da Santa Cecília. Faço arte pra games, troco pixel por plantas”: a descrição do perfil do Instagram já dá a dimensão da ligação especial de Lucas Carvalho, 30 anos, com a pequena floresta que cultiva em seu apartamento, em São Paulo. Quase três mil seguidores acompanham a convivência de Lucas com as várias espécies botânicas que também habitam sua casa.

Ele abriu o apê para a Selvvva e contou sobre as origens dessa relação tão intensa com o verde. O Lucas também deu dicas para uma rotina de cuidado saudável e prazerosa tanto para você quanto para as plantas, olha só:

 

Na sala que também serve de homeoffice para Lucas, convivem filodendros, ripsális, espada-de-são-jorge, chifre-de-veado, antúrio, tillandsias e suculentas.

Como a sala é o cômodo mais seco da casa, Lucas colocou um umidificador entre as plantas.

Como a sala é o cômodo mais seco da casa, Lucas colocou um umidificador entre as plantas.

“Minha avó resolvia tudo com plantas, fazia chá com semente de pacová e hortelã pra gente dormir – até hoje me lembro do gosto desse chá. Meu avô ia para a mata e voltava com orquídeas para ela. A relação com tudo que vinha do mato era muito natural.

Quando fui morar no centro de Campinas, que é bem mais árido, comecei a sentir falta de ter plantas em casa. Peguei uma zamioculca, matei a zamioculca, peguei uma bromélia, matei a bromélia. Pensei: Ih, eu não sei cuidar de planta. E deixei um pouco pra lá. Depois, quando me mudei pra São Paulo, em 2015, a saudade da infância perto do mato se agravou, bateu um desespero.

Então comecei a trazer plantas para casa e fui aprendendo a cuidar na base do erro e do acerto. A monstera que eu tenho na sala é a segunda, porque de primeira não entendi bem as necessidades da espécie. Tem uma coisa importante que é ir aos poucos sacando as plantas, prestar bem atenção em cada uma, ir entendendo do que precisam. É um conhecimento que se constrói no cotidiano, no dia a dia.

No banheiro estão as bromélias (apoiadas em troncos de madeira, como em geral acontece na natureza) e outras espécies como orquídea, filodendro e samambaia.

CONVIVÊNCIA ORGÂNICA

Antigamente eu tinha um cronograma de regas, jiboias e filodendros, por exemplo, regava todo dia um pouquinho. Mas não é assim que funciona na natureza, não é todo dia que chove às oito da manhã. Então o que eu faço agora é: dou uma olhada em todas diariamente, em 15 minutos faço isso. Vejo como está o substrato, se apareceu alguma praga ou algum novo brotinho. Se a terra está seca, rego, se apareceu algum bicho, eu trato. Com o tempo você aprende a interpretar os sinais das plantas, elas vão te avisando como estão, do que precisam. Cuidar delas vira parte da rotina, como escovar os dentes, lavar a louça.

Para mim, o principal ganho de ter essa convivência próxima com as plantas é psicológico. Sou muito ansioso e tocar, observar e perceber as plantas é uma forma de mudar o foco, de colocar a minha atenção num organismo vivo. Duas das minhas ripsális floresceram dia desses, e minha varanda recebeu visitas de abelhas, de passarinhos. Estou cercado de concreto, vivendo no centro de São Paulo, mas a vida pulsa aqui na minha casa. É incrível recuperar essa pequena alegria de ver um ser vivo brotar, se desenvolver.


LIÇÕES BOTÂNICAS

Eu não trago uma planta para casa sem saber onde vai ficar – não adianta querer colocar em um lugar que não tem as características de que a planta precisa. As samambaias, por exemplo. Antes eu matava todas! Na verdade, minha ex-casa é que era uma assassina de samambaias, porque batia muito vento lá. E eu aprendi a duras penas que essa espécie precisa ficar mais protegida – é só lembrar que ela, em seu habitat natural, prefere o interior das matas. Aqui neste apê elas ficam no banheiro e estão muito bem!

Outra coisa que eu costumo fazer é mudar as plantas de posição, para que elas recebam luz em todos os lados e cresçam de maneira mais uniforme.


Lucas acomoda na varanda algumas espécies de porte maior, como o ficus lyrata, e plantas que precisam de cuidados intensivos, como o tratamento de alguma praga.

Nuno, o cachorrinho do Lucas, tem uma convivência pacífica com as plantas da casa.

No galho, tillandsia; ficus lyrata e aglaonema. Sobre os livros, um filodendro pendente.


AS FAVORITAS


Filodendro Rubro

É uma planta linda, diferente, e eu gosto de plantas esquisitas. Meu irmão chegou aqui em casa e falou: eu tenho medo de chegar perto dela!

Acanthostachys

Também é bonita e esquisita. É uma planta nativa bem fácil de cuidar – se eu esquecer um pouco dela, tudo bem.

Tillandsias

Outra planta que me lembra a infância. O que eu gosto desse tipo é que dá para compor em ambientes domésticos de formas muito legais, pendurá-las, misturá-las com outras espécies.



LEMBRANÇA DE VÓ

Tenho um pacová que fica no meu quarto. Ele perdeu várias folhas, acho que teve um fungo na raiz. Eu quero muito acertar nos cuidados e que ele sobreviva aqui em casa, porque eu quero ter a planta que simboliza a minha vó. No dia que o pacová der frutos e sementes eu vou fazer um chazinho para mim igual ao dela!”

Espécie afetiva para o Lucas, o pacová do gênero Renealmina é nativa do Brasil.