Com uma mudinha ou uma selvvva cheia de vida. Se você despertou para o verde, está descobrindo a generosidade do tempo, a importância das pausas na natureza. Já está planejando o momento de se desconectar, de viver novas experiências e, inevitavelmente, pensando como suas moradoras vão sobreviver sem você durante a viagem. Para te ajudar nessa missão, compartilhamos algumas dicas que praticamos por aqui.

CONHEÇA SUAS MORADORAS

Saber quem é quem no seu verde é o primeiro passo para buscar informações sobre as características de cada uma. (Aqui no blog temos a seção planta do dia, com uma nova espécie todas as semanas)

Observar a estrutura das plantas pode oferecer pistas interessantes. Com ramos sensíveis, as rendas portuguesa e francesa têm folhas delicadas, que precisam de água com regularidade para manterem sua textura macia e cores cheias de vida. Junto com elas estão suas primas, as avencas e samambaias, acompanhadas de integrantes de outras famílias, como as delicadas fitônia e peperômia caperata. Deixá-las sem cuidados durante as férias certamente não vai garantir um final feliz.

O mesmo desfecho vale para o lírio-da-paz e a begônia-rex, que na falta de rega demonstram de maneira dramática a sua sede, com aparência desmaiada, protagonizada por folhas completamente murchas e caídas.

Para espécies sensíveis, como fitônia e peperômia-caperata, um curto período sem cuidados pode ser fatal. À esquerda, plantas debilitadas pela falta de rega. 

Outras espécies lidam melhor com a carência de hidratação por um curto período, graças à estrutura mais encorpada e à capacidade de armazenar água. Chegue pertinho e dê uma olhada na suculência dos caules do pacová, nas folhas das suculentas ou nas hastes espessas da zamioculca. É lá que elas guardam suas reservas para momentos de escassez.

Pacová e zamioculca: reserva para momentos de escassez

OBSERVE ONDE ESTÃO PLANTADAS

Entender as condições de onde suas plantas estão é outro passo importante antes de fazer as malas. Dê a elas a frestinha de uma janela dentro de casa ou a liberdade de um quintal privilegiado pela chuva. Se expostas ao sol, leve-as para a sombra, em um lugar arejado, onde a claridade estiver presente. Assim você garante uma dose de luminosidade, ventilação, e reduz a chance de desidratação.

Se o seu verde está plantado em vasos porosos, como barro e cimento, redobre a atenção. Esses materiais absorvem cerca de metade da água das regas e, provavelmente, a dica que ensinaremos adiante não será tão eficiente para você. Existem algumas soluções que podem te ajudar, como os gotejadores com garrafa PET.

DOE CARINHO EXTRA

Uma dose extra de carinho é essencial para prepará-las para a sua ausência. Observe as folhas e caules de pertinho, alguns dias antes, para verificar a presença de pragas e cuide caso a caso. Para prevenir novos intrusos, borrife óleo de neem em toda a planta.

Antes de viajar, capriche dando um banho frio sob o chuveiro ou no tanque. Coloque ela em uma bacia ou balde e regue até que uma poça com cerca de 1/3 da altura do vaso se acumule ao fundo. Aguarde 10 minutos para a hidratação das raízes ficar em dia e descarte o excesso de água. Se a sua planta tem tamanho generoso e você não conseguir carregá-la até o local do banho, use um regador ou uma mangueira, regando até que a água escorra por baixo e forme uma poça no prato. Para garantir os nutrientes essenciais, não esqueça de adubar em seguida.

ATENÇÃO:
Exceção aos cuidados que compartilhamos por aqui, algumas espécies não podem receber o banho frio mencionado acima, sob risco de suas raízes apodrecerem. Assim, doe apenas o carinho do adubo e óleo de neem, além da rega de rotina, para cactos, suculentas, jade e zamioculca, espécies resistentes que suportam períodos de estiagem. 

Com essas ações, sua moradora pode esperar você voltar entre 8 e 12 dias, dependendo de cada espécie. Essas dicas não são regras. Variam conforme o clima, a saúde da sua planta, o lugar onde ela se encontra, e todas as variáveis que a natureza domina. É normal que uma ou outra sofra com a ausência dos cuidados, apresentando folhas murchas ou queimadas. Mas fique tranquilo. Com uma boa poda e muito carinho elas podem voltar a ficar cheias de vida. (Estamos preparando uma matéria sobre isso por aqui)

Esses cuidados podem te ajudar no momento de aperto se não houver ninguém que consiga dar um pulinho na sua selvvva para regá-la. Você também pode levar suas plantas mais sensíveis para a casa de alguém que vá se dedicar nesse período, mas é sempre importante lembrar que a mudança de lugar pode estressar algumas espécies. Procure garantir que na moradia provisória elas recebam condições de rega e iluminação parecidas com as do seu cantinho.

Conheça um pouco mais sobre quem é quem no verde. 

Muito sensíveis

Delicadas, as espécies abaixo podem não resistir à falta de cuidados frequentes. Neste caso, peça para alguém doar um carinho a elas na sua casa.

Temperos, avenca, fitônia, lírio da paz, peperômias caperata e melancia, begônia-rex, hera, bico-de-papagaio, ginura.

Intermediárias

Com as medidas preventivas que compartilhamos aqui, as espécies abaixo podem estar preparadas para um período curto, de até 8 dias.

Pilea, asplênio, marantas, nepenthes, crótons, columeias, chifre-de-veado, antúrios, bromélias, figueira-lira, rendas, samambaias, peperômia variegata, alocácias, jiboia, filodendros, lambari, costela-de-adão, guaimbê.

Resistentes

Verdadeiras guerreiras. Com todas as medidas preventivas, quem faz parte dessa lista pode estar preparada para um período de até 12 dias.

Clusia, pacová, dracenas, ripsális, bromélias, espada-de-são-jorge, lança-de-são-jorge, areca, palmeiras, aglaonemas, comigo-ninguém-pode, ráfia, aveloz, cheflera, licuala.

Dica da Selvvva: Os cuidados variam de acordo com o ambiente, a espécie, disponibilidade de luz, umidade do espaço, temperatura e recipiente onde a planta está acondicionada. As indicações acima devem servir para orientar um primeiro contato, não são uma fórmula definitiva. Fique sempre atento às respostas da sua planta.