Selvvva de mãe: dicas

Ela mal chega perto e aquela companheira caidinha se reanima. Parece que ter dedo-verde é vocação natural, e sempre conta com um segredo guardado para cuidar das plantas por aí. 

Nossa matéria de hoje traz algumas dicas de mãe para deixar a sua selvvva cheia de vida.

01. Dicas da Delza

Íris Catarina de Avelar aprendeu com a mãe a viver cercada pelo verde e a entender as necessidades de cada moradora. Os cuidados com as plantas são divididos entre as duas gerações, que não abrem mão de algumas tradições e superstições.

Aos 88 anos, Delza esbanja energia, compartilhada com as dracenas, marantas, alocásia, pacová, ráfia, jiboia, begônia-sophia, avenca, chifre-de-veado, ficus-lyrata, além da sua paixão, as orquídeas.

Não pode ver algumas folhas apontando para baixo que logo aposta na água gelada para levantar cada uma delas. Na hora da rega, nada de cloro, que prejudica o desenvolvimento das plantas. Para que essa substância evapore, a água precisa descansar um dia antes.

Se algum invasor aparece, mãe e filha usam as cinzas de carvão. Basta peneirá-las até que sobre um pó fininho, pronto para ser depositado nas cochonilhas e pulgões que estão morando nas folhas. Para garantir que a terra também fique livre deles, ambas preferem uma calda fatal: junte 4l de água + 100g de pó-de-fumo, deixe descansar durante dois dias e use a mistura para regar.

Podar também faz parte dos hábitos da casa, sempre fora da fase Minguante da lua, aproveitando cada raminho para dar origem a novas mudas. Na hora de levá-las para a terra, a lua Nova é a favorita. 

Para ver o verde crescendo exuberante, Delza usa como adubo uma mistura de esterco e terra, com cuidado para que as fezes de vaca ou galinha não queimem as plantas com o excesso de nitrogênio. Evite surpresas e opte pelo esterco curtido, que fica um tempo descansando até parte do mineral evaporar. Já Irís prefere o biofertilizante das composteiras.

Segundo a filha, a relação com as companheiras verdes é a grande responsável pela vitalidade da mãe, que não passa um dia sem conversar com as plantas e observar uma a uma, garantindo também o aconchego do quintal.

02. Dicas da Aurelina

Na casa de Aurelina Maria dos Santos cada cômodo é colorido de verde. Tudo começou quando se mudou para São Paulo, há 12 anos, e comprou com o primeiro salário uma planta para relembrar o aconchego do cantinho da mãe, em Pernambuco.

A jiboia escolhida sobreviveu, se multiplicou e continua criando brotinhos. Muitos ganharam as ruas em forma de presente, outros fazem parte do “laboratório” que ela divide com as filhas, Niedja e Naedja, e as netas, Laura e Eloisa. 

Entre as experiências, Aurelina fica atenta aos sinais do verde e à influência do clima. Afinal, a “jiboia mãe” que mora dentro de casa tem comportamento diferente da mudinha que foi viver no quintal. 

Foi no dia a dia que aprendeu a entender as necessidades de cada companheira: as que estão na sala e no quarto contam com um umidificador. Se o tempo está seco e a planta é do tipo que precisa de pouca água, ela aposta na rega 1x por semana, acompanhada de borrifada nas folhas. Já as que moram do lado de fora pedem mais água, afinal, assim como as roupas no varal que secam logo quando expostas ao tempo, as plantas se desidratam mais depressa se estiverem ao ar livre.

Quando a chuva cai, é hora de levar todas até o quintal para garantir um banhão. Sempre sem deixar de lado o solzinho da manhã, antes das 10h, que é importante para muitas espécies, inclusive algumas que preferem o sol pleno, como as suculentas. 

Para garantir que se mantenham saudáveis, ela olha uma a uma de perto. Assim, retira folhas mortas, faz a poda para dar uma reanimada, observa a presença de invasores, limpa a folhagem com pano úmido para retirar o pó e facilitar as trocas gasosas.

Quando as cochonilhas aparecem, conta com uma mistura de 500ml de água, 1 colher (sopa) de detergente e 1 colher (chá) de álcool para borrifar sobre as folhas 3x por semana. Ao aplicar, é importante manter a planta protegida do sol, para evitar que a folhagem acabe queimando.

Na hora de oferecer os nutrientes no dia a dia, ela usa o adubo da composteira, sempre deixando descansar por 15 dias, para que o composto fique estável.

A dedicação rendeu tantos frutos, com samambaias, filodendros, ripsális, begônias, jabuticabeira, amoreira, orquídeas, cactos e temperos, que Aurelina perdeu as contas de quantas companheiras vivem na sua selvvva, “vou levar o ano inteiro para contar”, brinca. Mas uma certeza ficou: viver cercada de plantas é terapêutico na sua rotina.